JORNALISMO CIENTÍFICO E MEIO AMBIENTE: AVALIAÇÃO DA PRECISÃO E INDEPENDÊNCIA NA COBERTURA JORNALÍSTICA
Os problemas decorrentes da degradação ambiental têm se intensificado e gerado impactos em escala global, reforçando a necessidade de acesso público a informações claras e confiáveis. Nesse contexto, os veículos de comunicação assumem papel central na divulgação de temas científicos e ambientais. Este artigo analisa a cobertura jornalística sobre ciência e meio ambiente realizada pela versão online da revista semanal Época. O estudo focaliza especialmente a abordagem do conhecimento científico relacionado à Amazônia. Foram examinadas reportagens publicadas entre janeiro de 2010 e janeiro de 2020. A análise utilizou procedimentos qualiquantitativos. Consideraram-se as categorias de precisão, independência, contextualização, pluralidade e sensibilização. O artigo apresenta especificamente os resultados das categorias precisão e independência. Conclui-se que a cobertura contribuiu para ampliar a compreensão dos leitores e apoiar processos de tomada de decisão.
“ELES PRECISAM PARTICIPAR”: UMA CRONOGRAMA VIVO PARA A DISCIPLINA DE TEORIA DA COMUNICAÇÃO II, NO CURSO DE JORNALISMO DA UFRJ
O presente relato pretende socializar a experiência de remodelamento das metodologias de docência na disciplina Teoria da Comunicação II, do curso de Jornalismo da UFRJ. A reestruturação da dinâmica em sala de aula se deu em virtude de diferentes fatores, mas teve como principal motriz a falta de engajamento dos alunos em sala. O relato dá conta dos períodos de 2024.1, 2024.2 e 2025.1 e destaca a adesão de atividades alinhadas às metodologias de ensino ativas e a resposta positiva dos alunos em relação a estas práticas.
COMUNICAÇÃO QUILOMBOLA E PRODUÇÃO DE NARRATIVAS: CONTRIBUIÇÕES PARA O ENSINO DE JORNALISMO
A presença de comunidades quilombolas na esfera pública brasileira esteve historicamente mediada por narrativas produzidas por agentes externos, entre eles o Estado, a academia e os meios de comunicação tradicionais. Nas últimas décadas, entretanto, observa-se o fortalecimento de iniciativas de comunicação desenvolvidas pelos próprios quilombolas. A partir da tese de doutorado da autora (Nunes, 2024), este artigo analisa as práticas de comunicação quilombola e discute suas interfaces com o campo do jornalismo. Essa reflexão dialoga com contribuições teóricas dos estudos culturais e do pensamento social negro brasileiro. Argumenta-se que as experiências de comunicação quilombola oferecem referências relevantes para o ensino do jornalismo, especialmente no que se refere à democratização da comunicação e à formação de profissionais comprometidos com a diversidade (cultural e social) e o combate ao racismo.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA E ÉTICA NO JORNALISMO: USOS E PERCEPÇÕES DE JORNALISTAS PARANAENSES
Este trabalho traz dados da percepção de jornalistas paranaenses quanto ao uso de sistemas de Inteligência Artificial Generativa. As informações que subsidiam o trabalho foram coletadas entre os meses de agosto e setembro de 2025, na forma de questionário online. Profissionais da mídia dos segmentos da web, rádio e TV oferecem pistas sobre como os sistemas estão influenciando a rotina jornalística, além de como os profissionais enxergam a necessidade quanto às regras claras no relacionamento com sistemas de IA. O trabalho ainda traz um debate sobre ética, debatendo alguns riscos ao trabalho, quando se adotam sistemas de IAG na rotina.
O JORNALISMO LITERÁRIO COMO PRÁTICA ÉTICA: HOLOCAUSTO BRASILEIRO
O artigo analisa o jornalismo literário como prática ética, tendo como estudo de caso a obra Holocausto Brasileiro (ARBEX, 2013). A partir da crise de credibilidade do jornalismo contemporâneo, marcada por precarização das redações, polarização ideológica e disseminação de informações não verificadas, o trabalho evidencia como a ética e a deontologia orientam decisões conscientes sobre produção e difusão de notícias. A obra de Daniela Arbex demonstra como o jornalismo literário alia rigor investigativo, imersão, escuta ativa e detalhamento minucioso à sensibilidade narrativa, transformando testemunhos e documentos em denúncia social, resgatando a memória das vítimas e promovendo responsabilidade profissional. O estudo conclui que o jornalismo literário atua como estratégia ética e reflexiva, capaz de humanizar histórias, reconstruir a confiança pública e fortalecer a prática jornalística socialmente relevante.
PRODUÇÃO AUTOMATIZADA DE NOTÍCIAS: ANÁLISE DAS REPORTAGENS SOBRE O CENSO 2022 NO PORTAL G1
O projeto do G1 para o Censo 2022 representou um marco ao empregar inteligência artificial para gerar automaticamente textos sobre todos os 5.570 municípios brasileiros. Esse experimento jornalístico reforça um campo de análise relevante sobre limites, potencialidades e impactos das tecnologias generativas na prática jornalística. Nesse artigo, examina-se o padrão textual, a estrutura narrativa e os recursos visuais empregados nas matérias geradas, que descreve como a automatização de notícias transforma dados estruturados em textos jornalísticos padronizados, posteriormente revisados por jornalistas humanos. A análise revela avanços na aplicação da automatização ao jornalismo de dados, sobretudo em velocidade e escala de produção, mas também aponta limitações relacionadas à profundidade analítica, diversidade de fontes e contextualização sócio-histórica. Os resultados evidenciam que a notícias automatizadas cumprem eficientemente funções descritivas, porém não substitui totalmente o trabalho interpretativo e crítico dos jornalistas.
METODOLOGIA EXPERIMENTAL EM DISSERTAÇÕES E TESES NO NORDESTE (2020-2024)
Este artigo analisa a produção de pesquisas aplicadas em jornalismo na região Nordeste do Brasil, com foco em dissertações e teses que utilizaram metodologia experimental entre os anos de 2020 e 2024. A pesquisa possui abordagem qualitativa e baseia-se em revisão bibliográfica e análise documental de trabalhos identificados no Observatório de Pesquisa Aplicada em Jornalismo (OPAJor). Os resultados indicam que o Nordeste se destaca na produção nacional desse tipo de pesquisa, com predominância de estudos voltados ao jornalismo digital, à inovação jornalística e ao jornalismo regional. Observou-se também a forte presença de programas de pós-graduação que incentivam a produção de soluções e produtos voltados ao campo profissional. Apesar dos desafios ainda existentes, verifica-se um crescimento gradual da pesquisa aplicada no jornalismo.
JORNALISMO E PESSOA COM DEFICIÊNCIA: PANORAMA ATUAL DOS ESTUDOS A PARTIR DAS EDIÇÕES DO SBPJOR E COMPÓS
Este artigo investiga a interface entre jornalismo e a pauta da pessoa com deficiência (PcD), a partir de uma Revisão Sistemática de Literatura (RSL), com base em trabalhos apresentados nos congressos Compós e SBPJor entre 2020 e 2024. Fundamentado em preceitos éticos da profissão jornalística e em legislações sobre direitos à comunicação e inclusão, o estudo evidencia a persistência de práticas midiáticas capacitistas, a escassez de representações humanizadas de PcD na imprensa e a baixa presença da temática nos campos acadêmicos da Comunicação e do Jornalismo. A análise identificou apenas 18 artigos sobre o tema em um universo de 1.807 produções, o que corresponde a menos de 1%. A pesquisa aponta a urgência de maior sensibilidade e comprometimento do campo jornalístico e científico com a inclusão, bem como a necessidade de ampliar vozes e narrativas PcD nas esferas midiática e acadêmica.