ENSAIO: IVAN MIZANZUK E O RESGATE DO CASO EVANDRO

Relato de experiência. O trabalho analisa o resgate histórico do Caso Evandro, crime ocorrido em 1992 em Guaratuba, no Paraná, a partir da investigação do produtor de podcasts e pesquisador Ivan Mizanzuk em seu programa “Projeto Humanos: O caso Evandro”. A pesquisa compara a cobertura dos veículos de imprensa nas décadas de 1990 e 2000 com a abordagem contemporânea, à luz do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros. Observa-se que a cobertura original foi marcada por sensacionalismo, presunção de culpabilidade e exposição de conteúdo mórbido. Em contrapartida, a investigação mais recente priorizou a apuração documental, o contraditório e o respeito às vítimas e aos acusados.

JORNALISMO AMBIENTAL NA PRÁTICA: PRODUÇÃO LABORATORIAL E DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA SOBRE O CERRADO NA FACULDADE DE COMUNICAÇÃO DA UNB

Este relato apresenta a experiência de estudantes da disciplina de Jornalismo Ambiental da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) na produção de conteúdos jornalísticos e de divulgação científica em parceria com a Rede Biota Cerrado (RBC). A disciplina adotou uma dinâmica laboratorial baseada em redação supervisionada, na qual os alunos produziram reportagens, newsletters e conteúdos para redes sociais voltados à comunicação pública da ciência e à cobertura de temas relacionados ao bioma Cerrado. A partir de uma abordagem sistêmica das questões ambientais, os estudantes foram estimulados a compreender a crise climática como um fenômeno conectado a dimensões sociais, econômicas e políticas, além de desenvolver competências de curadoria de pautas, tradução de conteúdos científicos e mediação entre pesquisadores e sociedade. A experiência incluiu ainda visitas técnicas a instituições de pesquisa e participação em eventos científicos, ampliando a compreensão sobre os processos de produção do conhecimento científico e sua comunicação ao público. Os resultados evidenciam o potencial de disciplinas laboratoriais para integrar ensino, pesquisa e extensão na formação em jornalismo ambiental, contribuindo para fortalecer a divulgação científica e o engajamento público com a agenda socioambiental do Cerrado.

ANÁLISE DA COBERTURA DO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO SOBRE O DISCURSO DESINFORMATIVO DE DONALD TRUMP QUE RELACIONA O TYLENOL COM O AUTISMO

O discurso de Donald Trump, do dia 22 de setembro de 2025, apontou uma suposta relação entre o uso do Tylenol na gravidez e o Autismo. Trata-se de mais uma declaração com base científica questionável que repercutiu em diversos jornais no Brasil e no Mundo. Um deles foi a Folha de São Paulo, que não permite o acesso à maioria de suas publicações sem uma assinatura. No presente artigo, analisa-se a cobertura da Folha sobre o caso através da Análise da Cobertura Jornalística de Silva e Maia (2011).

ELAS COMUNICAM: MULHERES EMPREENDEDORAS NO CAMPO DA COMUNICAÇÃO E DA PRODUÇÃO DE CONTEÚDO NO TOCANTINS

O presente trabalho apresenta o processo de criação do podcast “Elas Comunicam”, desenvolvido por alunas do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Tocantins (UFT), na disciplina Ação de Extensão V, em 2025. Por meio de entrevistas, o podcast explorou trajetórias, desafios e estratégias de mulheres que empreendem na comunicação no Tocantins, evidenciando formas inovadoras de produção e difusão de conteúdo. A iniciativa resultou em material de caráter informativo e formativo, demonstrando o potencial do podcast como ferramenta de inovação e extensão universitária.

FORMAÇÃO AMBIENTAL EM COMUNICAÇÃO: FORMAR JORNALISTAS PARA COMUNICAR RISCOS CLIMÁTICOS

A intensificação das mudanças climáticas tem aumentado a demanda por uma comunicação
científica que seja eficiente e acessível para a população. Dentro desse cenário, o jornalismo exerce
uma função crucial ao fazer a ponte entre a pesquisa científica e o público, especialmente no que
tange à divulgação de informações acerca dos riscos climáticos. Este artigo analisa a relevância da
educação ambiental no âmbito da comunicação, destacando a necessidade de capacitar jornalistas
para que consigam interpretar e transmitir dados científicos vinculados às mudanças climáticas.
A pesquisa tem um caráter qualitativo e bibliográfico, fundamentada em autores que investigam
a comunicação científica, metodologias de pesquisa e estudos relativos às mudanças climáticas.
Os resultados sugerem que a formação acadêmica na área de jornalismo deve incluir
conhecimentos ambientais e científicos, a fim de aprimorar a qualidade da cobertura da mídia
sobre os riscos climáticos e auxiliar na conscientização da sociedade frente à crise ambiental que
se encontra em curso.

ALGORITMOS DE RECOMENDAÇÃO E OPINIÃO PÚBLICA: O DEBATE SOBRE A REGULAMENTAÇÃO DAS BIG TECHS NA REDE SOCIAL X

Este trabalho analisa a construção da opinião pública na rede social X (antigo Twitter) a partir da mediação dos algoritmos de recomendação. Fundamentada nos autores Habermas (1984), Lévy (2010) e Santaella (2003), a pesquisa utiliza a metodologia de análise de conteúdo aplicada a uma notícia da CNN Brasil sobre a regulamentação das big techs e sua repercussão no X. Os resultados indicam que a lógica algorítmica prioriza conteúdos com maior engajamento, em detrimento do debate crítico. Esse processo favorece a formação de comunidades virtuais baseadas em afinidades, que reforçam crenças pré-existentes e limitam a diversidade de perspectivas. Conclui-se que a mediação algorítmica influencia a dinâmica do debate público e o consumo da informação. O estudo constitui um recorte de uma pesquisa mais ampla desenvolvida por meio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) e do trabalho de conclusão de curso da graduação em Jornalismo.

JUVENTUDE E A MISOGINIA: ANÁLISE JORNALÍSTICA SOBRE A REPRESENTAÇÃO DA VIOLÊNCIA DE GÊNÉRO CRESCENTE NA INTERNET

O artigo procura analisar de que maneira portais de notícias constroem narrativas sobre a misoginia entre adolescentes e jovens adultos crescente nas redes sociais, identificando tendências de estigmatização, naturalização da violência e ausência de aprofundamento estrutural a partir de um mapeamento de notícias e reportagens. Foram analisadas vinte matérias, sendo dezesseis notícias, quatro reportagens e uma lista nos eixos: juventudes, violência de gênero e jornalismo. Identificamos que o jornalismo pode e deve atuar para além do canal de denúncia, mas como um instrumento de produção de conhecimento e de conscientização crítica no enfrentamento da violência de gênero.

FATOS E VIEWS: COBERTURA DA OLIMPÍADA DE 2024 POR JORNALISTAS E INFLUENCIADORES DIGITAIS

O estudo analisa a cobertura durante os Jogos Olímpicos de Paris 2024, comparando a atuação de jornalistas profissionais e influenciadores digitais. A pesquisa examina os programas Ça Va Paris, da SporTV, e Zona Olímpica, da CazéTV. A metodologia utilizada é qualitativa, baseada em análise de episódios exibidos nos dias 4 e 9 de agosto. As datas foram escolhidas por representarem momentos distintos: um de baixa repercussão esportiva e outro com conquistas importantes para o Brasil. O estudo observa como cada programa constrói suas narrativas e organiza suas análises. Além disso, considera o desempenho dos apresentadores e a presença ou ausência de especialistas. Outro aspecto avaliado é o nível de tecnicidade presente nas análises esportivas. A pesquisa busca compreender como as mudanças no ambiente midiático impactam o jornalismo. Os resultados apontam dois modelos distintos: um baseado na técnica e outro marcado por linguagem coloquial e humor.

INICIAÇÃO CIENTÍFICA E COMBATE À DESINFORMAÇÃO: RELATO DE EXPERIÊNCIA NO NÚCLEO DE JORNALISMO E AUDIOVISUAL DA UFJF

O relato de experiência a seguir apresenta uma perspectiva da formação superior em Jornalismo na UFJF por meio da participação em projetos de Iniciação Científica vinculados ao NJA – Núcleo de Jornalismo e Audiovisual. O texto descreve um percurso trilhado desde 2023, com uma trajetória marcada por pesquisas voltadas para qualificação da informação em vídeo, com foco em temas como desinformação, desertos de notícias e circulação de conteúdos em redes sociais. As atividades desenvolvidas incluem reuniões de pesquisas, leituras teóricas, análises empíricas, produção de artigos e participações em congressos científicos. Parte majoritária da pesquisa utiliza a Análise da Materialidade Audiovisual (AMA) para examinar narrativas jornalísticas em plataformas digitais. A experiência ainda incluiu atuação no projeto de extensão Apuraí, voltado à checagem de fatos e educação midiática. Nos resultados destaca-se a importância do desenvolvimento de ações de extensão voltadas ao enfrentamento da desinformação, e evidenciam a importância da IC na formação acadêmica.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS E ENSINO DE JORNALISMO: O JORNAL LABORATÓRIO ARROCHA COMO ESPAÇO DE FORMAÇÃO CRÍTICA

Neste texto relatamos a experiência de produção da 51ª edição do Arrocha, jornal laboratório do curso de jornalismo da UFMA/Imperatriz, sobre mudanças climáticas. O objetivo é refletir sobre o papel do jornal laboratório no ensino do jornalismo, na reflexão crítica e na articulação entre agenda global e realidade local. Discutimos sobre a experiência interdisciplinar que integrou as disciplinas de Laboratório de Jornalismo Impresso 1, Fotojornalismo e Planejamento Gráfico, na produção do produto. Da reunião de pauta à edição do jornal, analisamos a conexão da agenda global da COP-30 e as demandas locais da região tocantina. As reportagens abordam desde a poluição do rio Tocantins, impactos do agronegócio aos saberes de povos originários e desafios urbanos relacionados ao clima. O Arrocha constitui-se como relevante espaço formativo que articula teoria e prática, estimula a apuração responsável e promove a humanização das narrativas jornalísticas sobre temas diversos.