CINEMA NEGRO UNIVERSITÁRIO: LÓCUS DE EXPERIMENTAÇÃO PARA CINEASTAS EM FORMAÇÃO
Este relato de experiência analisa dois curta-metragens produzidos por estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no marco de uma disciplina no ano de 2019. Os filmes abordam questões raciais de forma complexa, construindo representações da negritude que fogem das imagens de controle e complexificam as vivências negras.
ENTRE A ESTÉTICA DO LENTO E O IMEDIATISMO: AS PRODUÇÕES EM SLOW CINEMA RESISTEM AOS VÍDEOS CURTOS DA CONTEMPORANEIDADE
O presente artigo analisa aspectos constitutivos da Modernidade, como os impactos na percepção temporal, no consumo de mídia e na valorização do ritmo aceleratório. O trabalho investiga as diferenças entre a estética do slow cinema, também conhecida como cinema da lentidão, e as produções audiovisuais curtas difundidas em plataformas digitais como TikTok, Instagram Reels e YouTube Shorts. A partir de uma revisão bibliográfica no campo da Comunicação, discute-se como distintos regimes de temporalidade, aceleração e desaceleração, moldam a experiência estética e a atenção do espectador. Nesse contexto, examina-se de que forma a lógica algorítmica e a economia da atenção favorecem conteúdos rápidos, fragmentados e orientados ao engajamento imediato, interpretando a oposição entre rápido e lento como uma disputa simbólica entre duas formas de vivenciar o tempo na cultura contemporânea. Além disso, observa-se de que maneira a estética da lentidão pode funcionar como resistência cultural à aceleração estrutural das mídias digitais, propondo outras formas de relação entre imagem, tempo e experiência.
FALO PORQUE EXISTO – VOZES NEGRAS PARA ALÉM DA DOR
O presente trabalho apresenta o podcast Falo Porque Existo – Vozes Negras para Além da Dor, produto jornalístico desenvolvido como Trabalho de Conclusão de Curso na Universidade Federal do Tocantins. A proposta visa amplificar vozes negras por meio de trajetórias de resistência e protagonismo, rompendo com narrativas pautadas exclusivamente na dor. A produção, estruturada em três episódios, utiliza a oralidade como ferramenta de preservação da memória e construção de discursos contra hegemônicos. Metodologicamente, o projeto envolveu planejamento editorial, roteirização, gravação em estúdio, edição de áudio e criação de identidade visual. Os resultados demonstram que o podcast atua como um espaço de fortalecimento identitário e disputa simbólica, valorizando a representatividade negra no cenário comunicacional.
APROXIMAÇÕES COM O GEOJORNALISMO: EXPERIÊNCIAS EM JORNALISMO DE DADOS COM BASES DO IBGE
Este artigo apresenta um relato de experiência sobre o uso de dados geoespaciais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ensino de Jornalismo de Dados. O trabalho foi desenvolvido na disciplina de Jornalismo de Dados da Faculdade de Informação e Comunicação da Universidade Federal de Goiás (FIC/UFG). A proposta consistiu na produção de uma reportagem baseada nos resultados do Censo 2022 para mapear e retratar as favelas de Goiânia. A metodologia envolveu a coleta, filtragem e cruzamento de dados geoespaciais e estatísticos, além da realização de entrevistas e de um questionário sobre a percepção da população em relação às favelas da cidade. A experiência demonstrou que o uso de dados geoespaciais amplia as possibilidades do Jornalismo de Dados e reforça a necessidade de maior formação técnica voltada a essa área na graduação em Jornalismo.
TELEJORNALISMO REGIONAL E NARRATIVA TRANSMÍDIA: UMA ANÁLISE DA CONVERGÊNCIA MIDIÁTICA NAS EMISSORAS DO TRIÂNGULO MINEIRO E ALTO PARANAÍBA
Este trabalho investiga as transformações no telejornalismo regional frente à convergência midiática e à implementação de estratégias de narrativa transmídia. Com o objetivo de analisar como as emissoras TV Integração (Globo), TV Paranaíba (Record) e Band Triângulo utilizam as plataformas digitais em diálogo com o suporte televisivo. A metodologia tem uma abordagem mista, além de ser qualitativa e quantitativa, com um corpus composto por 24 edições de telejornais entre os anos de 2023 e 2024. Embora a interatividade via WhatsApp e redes sociais seja uma prática consolidada, a narrativa transmídia, onde o conteúdo se expande de forma orgânica e complementar, ainda reside em um estágio experimental. Conclui-se que o telejornalismo regional mineiro opera sob uma lógica de participação ativa, buscando na hibridização de formatos uma estratégia de sobrevivência e engajamento na era da mobilidade.
ZINE SIBITA – REVISTA MULTIPLATAFORMA DE JORNALISMO CULTURAL: UMA EXPERIÊNCIA NO MARANHÃO
ste relato apresenta a experiência de produção laboratorial da revista multiplataforma de jornalismo cultural Zine Sibita. O projeto é realizado no curso de Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão, em Imperatriz. A produção contempla site (www.zinesibita.ufma.br), perfil de Instagram (@zinesibita), o fanzine artesanal, o suplemento (Sibitão) e a TV Sibita. O foco do Zine Sibita é a produção explorando gêneros jornalísticos diversos. Esta é a única iniciativa especializada em cobertura cultural sistemática na região. O conteúdo é elaborado em disciplinas da grade, em especial Jornalismo especializado, Planejamento Gráfico e Editorial, Laboratório de Jornalismo Impresso II e Multimídia e Audiovisual. O intuito do projeto é estimular a especialização nesta editoria e a vontade de empreender no campo do jornalismo cultural gerando valorização das expressões locais. Em 11 anos de existência, o projeto diversificou os formatos e produziu relevante cobertura da cena cultural local.
OFICINA EM SALA: FORMAÇÃO E SENSIBILIZAÇÃO SOBRE EMERGÊNCIA CLIMÁTICA NA DISCIPLINA REDAÇÃO JORNALÍSTICA II
Este relato de experiência apresenta a Oficina Como comunicar a crise climática? Estratégias e possibilidades, desenvolvida na disciplina obrigatória de Redação Jornalística II, do curso de Jornalismo, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), no segundo semestre de 2025. A experiência integrou atividades de formação e sensibilização dos estudantes para a cobertura jornalística de temas relacionados à emergência climática. A atividade integra a pesquisa-ação participativa desenvolvida junto aos Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (Napi) com foco em Emergência Climática, projeto da Fundação Araucária/Governo do Paraná, que reúne oito universidades do Paraná. O foco foi estimular a reflexão de jornalistas em formação para que incluam o tema em suas pautas, em todas as editorias, desde a prática laboratorial. A oficina resultou em pautas ambientais e reportagens multimídia, com ênfase em emergência climática, nas práticas jornalísticas do blog semestral da disciplina em questão.
VIBE-CODING, REPORTAGEM E PROCESSAMENTO DE LINGUAGEM NATURAL: A EXPERIÊNCIA DO JORNAL-LABORATÓRIO LAB NOTÍCIAS
Este relato descreve e analisa a construção de aplicações de reportagem desenvolvidas com técnicas de Processamento de Linguagem Natural (PLN) e modelos de linguagem (LLMs/SLMs) no âmbito da disciplina laboratorial Redação com Processamento de Linguagem Natural, do curso de Jornalismo da UFG. Com base em 38 aplicações produzidas pelos estudantes, examinamos ganhos editoriais, limitações e vieses documentados durante o desenvolvimento, utilizando a Teoria Fundamentada (Charmaz, 2009) para a criação de categorias analíticas. Os resultados indicam potencial significativo para a incorporação de elementos de acessibilidade, interatividade e blocos multimídia dinâmicos nas reportagens; por outro lado, evidenciam problemas recorrentes como imprecisões, bases de dados insuficientes, dificuldades de integração automática e vieses na seleção de fontes pelos modelos (Diakopoulos et al., 2024; Barboza & Caldas, 2025). Concluímos com recomendações práticas para a adoção responsável dessas ferramentas em ambientes formativos e redacionais.
JORNALISMO MULTIMÍDIA: ONDE A APRENDIZAGEM BASEADA EM PROJETOS ENCONTRA OS GAPS DE FORMAÇÃO
Quais seriam os principais desafios de implementar metodologias ativas que apostam na Aprendizagem baseada em Projetos para identificação e redução dos gaps na formação de jornalistas multimídia? Esse questionamento norteou a reflexão sobre como lidar com aspectos cognitivos e emocionais de equipes multidisciplinares formadas por estudantes de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda, durante o primeiro semestre de 2025, na disciplina Produção de Projetos Multimídia, ministrada na Universidade Estácio de Sá. Os projetos multimídia exigiram que os discentes articulassem linguagens textuais, sonoras e visuais em plataformas convergentes. Durante o processo, foram identificados gaps de formação ligados a conteúdos inerentes à prática jornalística, identificação de gêneros jornalísticos, bem como de linguagem adequada a cada meio. Para implementação dos projetos, foram ativadas competências socioemocionais imprescindíveis para que a aprendizagem colaborativa fosse viável.
REPORTAGEM VERTICAL COMO ACONTECIMENTO PEDAGÓGICO NO ENSINO DE JORNALISMO
Este trabalho apresenta o relato de uma experiência didática desenvolvida na disciplina Laboratório de Criação Jornalística (8º semestre) do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amapá (Unifap), na qual estudantes produziram uma reportagem em formato vertical destinada à circulação em plataformas digitais móveis. A proposta surgiu a partir de sugestão dos próprios estudantes durante a atividade. Com base na observação das práticas desenvolvidas em sala de aula, analisa-se como a lógica da reportagem se reorganiza quando pensada para dispositivos móveis e redes sociais. Os resultados indicam mudanças na construção narrativa, especialmente no enquadramento da imagem, na centralidade do repórter em cena, na duração da narrativa, na organização das falas dos entrevistados e no uso de legendas e grafismos voltados à leitura em smartphones. Do ponto de vista pedagógico, a experiência sugere a necessidade de integrar produção e circulação de conteúdos digitais no ensino de reportagem.