AUTODEFINIÇÃO, INTERSECCIONALIDADE E ESTRATÉGIAS DIGITAIS: ANÁLISE DAS NARRATIVAS DE VEREADORAS NEGRAS FORTALEZENSES NO 25 DE JULHO

A vida das mulheres negras não é só tristeza (Evaristo, 2020), mas enfrentamos desafios: violência política (Internetlab; Redes Cordiais, 2024) e representação midiática negativa (Sales, 2023). Este artigo estudou como três vereadoras negras fortalezenses se autodefinem no Instagram. Objetivo: identificar Autodefinição, Imagens de Controle (Collins, 2019; Bueno, 2020), Interseccionalidade (Akotirene, 2021) e Táticas Digitais nos perfis de Adriana Almeida, Adriana Gerônimo e Mari Lacerda. Corpus: cinco posts (25/07/2025) com descritores “25 de Julho”, “Julho das Pretas” e “mulheres negras”. Referencial (Akotirene, 2021; Bueno, 2020; Collins, 2019) usou: IC, Roleta Interseccional (Carrera, 2021) e Análise de Conteúdo (Bardin, 2011). Resultados: parlamentares utilizam data para Autodefinição, confrontando Imagens de Controle. Hashtags (#MulheresNegras, 18,8%) e formatos diversos reforçam ancestralidade e insurgência política em meio à sub-representação institucional (apenas 5,5% na CMFor).

O INSTAGRAM COMO UM NOVO TERRITÓRIO CULTURAL DIGITAL PARA JORNALISTAS NEGRAS À LUZ DA PERSPECTIVA DO TRIPLO TETO DE VIDRO (RAÇA, CLASSE E GÊNERO)

Este estudo investiga a influência da presença de jornalistas negras no Instagram, no que concerne à contribuição para a diminuição do “teto de vidro” interseccional (raça, classe e gênero). Utiliza-se uma abordagem qualitativa com base teórica em temas como feminização do mercado de trabalho, interseccionalidade e o papel do Instagram como um novo território cultural. Entrevistas foram conduzidas com jornalistas negras, revelando que o Instagram não é sua principal fonte de renda, mas tem sido relevante para impulsionar suas carreiras e abordar questões interseccionais. As falas das entrevistadas foram analisadas por meio de análise de conteúdo categorial temática, o qual sugeriu que o Instagram pode ajudar a fortalecer essas mulheres profissionalmente e inspirar outras, além de ter apontado para futuras direções de pesquisa e ações para mitigar as barreiras horizontais e verticais enfrentadas por essas jornalistas negras.

PRODUÇÃO JORNALÍSTICA E PARTICIPAÇÃO DO PÚBLICO NO CANAL METEORO BRASIL NO YOUTUBE

O artigo investiga a participação da audiência no canal Meteoro Brasil (YouTube), abordando a transição do gatekeeping ao gatewatching e os desafios do jornalismo participativo. O objetivo é avaliar o comportamento dos usuários nos comentários e se há estímulo do canal à participação do público. A metodologia emprega a triangulação e a observação sistemática (quantitativa e qualitativa) de um estudo de caso. Os resultados indicam um ecossistema de conversação vibrante, mas com baixo incentivo institucional à participação efetiva na produção do conteúdo. Conclui-se que, apesar do suporte tecnológico para a democratização do debate, a plataforma é utilizada prioritariamente para distribuição e visibilidade, preservando hierarquias tradicionais entre produtores e audiência.

COMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO NA PROMOÇÃO DA SAÚDE MENTAL DE ADOLESCENTES

Ansiedade, estresse e sofrimento psíquico entre jovens evidencia a necessidade de estratégias de prevenção e promoção do bem-estar emocional no ambiente escolar. Nesse contexto, a comunicação e o jornalismo desempenham papel importante na construção do debate público sobre saúde mental, contribuindo para ampliar a visibilidade do tema e reduzir estigmas sociais. Este ensaio tem como objetivo pontuar a importância de intervenções educativas voltadas à promoção da saúde mental de adolescentes da rede pública de ensino, articulando perspectivas da comunicação, do jornalismo e da educação em saúde. A pesquisa possui abordagem qualitativa, de caráter descritivo e interventivo.

#TONACÂMARA: COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL E PARTICIPAÇÃO CIDADÃ NOS COMENTÁRIOS DO INSTAGRAM

Este relato de experiência analisa a estratégia de comunicação digital #ToNaCamara, desenvolvida pela Câmara dos Deputados no Instagram, com o objetivo de aproximar a instituição da sociedade. O estudo baseia-se na observação sistemática e na análise qualitativa de 40 publicações realizadas entre 22 de maio de 2022 e 22 de maio de 2023, que somaram 1.079 comentários de usuários. A investigação buscou compreender de que modo os cidadãos se apropriam do espaço destinado a comentários para expressar percepções, críticas, dúvidas e reivindicações relacionadas à atuação parlamentar. Os resultados indicam que, embora a campanha tenha sido concebida como iniciativa de comunicação institucional e estímulo ao engajamento, os comentários funcionaram também como arena de debate público, cobrança por responsividade e manifestação de dissensos. A experiência evidencia potencialidades e limites das plataformas digitais para a comunicação pública.

“VIVA MARIA”: 45 ANOS DE COMUNICAÇÃO PÚBLICA E PROTAGONISMO FEMININO NO RÁDIO BRASILEIRO

Este trabalho apresenta a experiência do programa “Viva Maria”, veiculado em emissoras públicas de rádio e consolidado, ao longo de 45 anos, como espaço de promoção dos direitos das mulheres e fortalecimento da cidadania feminina. O estudo tem como foco o projeto “Viva Maria na Academia”, iniciativa que integra as comemorações do programa e se dedica ao mapeamento, sistematização e difusão de produções acadêmicas sobre a atração. O relato evidencia uma prática de comunicação pública baseada na escuta das ouvintes, na mediação entre movimentos sociais, especialistas e poder público, com valorização do protagonismo feminino. Ao reunir cerca de 30 trabalhos acadêmicos de diferentes instituições, o projeto fortalece a articulação entre prática profissional e reflexão teórica, consolidando o programa como objeto de pesquisa e referência no campo da comunicação e dos estudos de gênero.

A EXPANSÃO DO JORNALISMO AMBIENTAL NA PRODUÇÃO CIENTÍFICA

Este artigo discute o Jornalismo Ambiental como objeto de produção científica no campo da Comunicação, ampliando seu olhar como prática profissional. Partindo do contexto de intensificação das crises ambientais e do papel dos meios de comunicação na mediação e divulgação de informações sobre o meio ambiente, o estudo busca compreender como o Jornalismo Ambiental tem sido constituído como objeto de investigação acadêmica no Brasil. Para isso, realizou-se um levantamento de teses e dissertações registradas no Banco de Teses e Dissertações da Capes, no período de 2014 a 2024, com base no descritor “Jornalismo Ambiental”. Os dados correspondem a um recorte de estado da arte e permitem identificar potencialidades e lacunas na produção científica da área. Os resultados indicam a existência de 47 trabalhos no período analisado, com crescimento irregular ao longo dos anos e com uma concentração regional assimétrica. Conclui-se que, embora o campo venha se consolidando gradualmente, ainda há necessidade de ampliar e diversificar as investigações sobre Jornalismo Ambiental, fortalecendo sua contribuição para o ensino e para a prática profissional.

SER EDITOR NO JORNALISMO INDEPENDENTE: UM ESTUDO SOBRE OS PROFISSIONAIS DA REGIÃO NORDESTE

Este estudo investiga a atuação de profissionais no jornalismo independente com foco nos editores que operam em veículos de comunicação da Região Nordeste do Brasil. O objetivo é compreender as rotinas e os desafios enfrentados por esses profissionais, bem como entender o campo de atuação do editor em veículos autodeclarados independentes. Por meio de entrevistas realizadas com nove editores de veículos destes perfis localizados, sendo um de cada estado, a pesquisa explora as mudanças na profissão de editor, analisando suas atividades diárias, as dificuldades enfrentadas e as percepções desses profissionais sobre o papel do editor no contexto do jornalismo independente. Além disso, o estudo mostra que editores do jornalismo independente no Nordeste, apesar da precariedade e da insegurança financeira, mantêm compromisso ético e social. Eles ampliam a visibilidade de comunidades negligenciadas e fortalecem narrativas locais, tema aprofundado ao longo da pesquisa.

A GUERRA TARIFÁRIA ENTRE BRASIL E EUA EM 2025: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE ENQUADRAMENTOS NA FOLHA DE S.PAULO E NO THE NEW YORK TIMES

Este trabalho analisa a cobertura do jornalismo econômico sobre a guerra tarifária entre Brasil e Estados Unidos em 2025. O conflito, iniciado no Liberation Day, culminou em julho com a imposição de uma alíquota de 50% sobre produtos brasileiros e sanções a autoridades do país. O estudo investiga como a Folha de S.Paulo e o The New York Times construíram suas narrativas sobre o embate, focando no recorte temporal de 9 e 10 de julho de 2025. O objetivo geral é identificar e comparar os enquadramentos (frames) utilizados pelos dois veículos. Metodologicamente, a pesquisa fundamenta-se na Teoria do Enquadramento (Goffman, 1974; Entman, 1993; Reese, 2001), analisando como a seleção e a saliência de elementos moldaram a interpretação pública do conflito.

JORNALISMO E PRODUTOS DE ENTRETENIMENTO: OS TRANSBORDAMENTOS DA SOCIEDADE DO ESPETÁCULO

O objetivo da pesquisa é estudar a dinâmica da sociedade do espetáculo quanto às relações entre o jornalismo e a espetacularização no caso do transbordamento das notícias sobre crimes hediondos, ao longo do século XX. Para isso realizaremos uma revisão bibliográfica narrativa, combinada a uma análise comparada entre os fundamentos teóricos encontrados: noticiabilidade versus sociedade do espetáculo. As matrizes teóricas que nos orientam são as reflexões de Traquina (2005), Debord (1997), e Kellner (2001). Associado a esta discussão apresentamos, como evidência histórica, uma timeline de crimes de grande repercussão, que historicamente transbordaram a esfera do jornalismo convertendo-se em produtos de entretenimento audiovisual, como filmes e séries. Como resultado deste estudo, identificamos possíveis repercussões do transbordamento para o jornalismo e para a sociedade, como o distanciamento entre os produtos midiáticos e o real provocado pela espetacularização.