Este trabalho investiga o papel das mulheres negras na liderança e construção de narrativas na mídia negra brasileira, com foco no enfrentamento ao racismo estrutural e sexismo. A pesquisa realiza um estudo exploratório a partir dos dados da versão piloto do Mapa da Mídia Negra Brasileira (MMNB), desenvolvida como resultado do Projeto Cartas para o Amanhã, da Faculdade de Comunicação (FAC) da Universidade de Brasília (UnB), fundamentando-se nas epistemologias do feminismo negro e no conceito de Amefricanidade. Metodologicamente, o trabalho utilizou levantamento bibliográfico e análise de conteúdo temática de 88 iniciativas de comunicação mapeadas. Os resultados quantitativos demonstram um expressivo protagonismo feminino: 39,5% das iniciativas foram fundadas exclusivamente por mulheres negras, superando as fundadas por homens (cerca de 25%). Ao considerar co-fundações, o total de iniciativas com participação ativa de mulheres atinge 48,9% do mapeamento. Geograficamente, observou-se uma concentração no Sudeste (59%) e Nordeste (25%), com destaque para a Bahia. O trabalho revela que essas comunicadoras reconfiguram o campo midiático e como elas adotam modelos de gestão horizontais e narrativas de reparação para transcender a lógica racista e sexista da grande mídia, atuando como produtoras de saber e resistência simbólica. Concluindo então que mulheres negras são os principais agentes de transformação e as vozes centrais da comunicação antirracista contemporânea no Brasil.