O presente trabalho propõe uma reflexão sobre a importância da humanização na escrita
jornalística, analisada sob a ótica de Muniz Sodré. Partindo da constatação de que o
jornalismo contemporâneo tende a priorizar a objetividade e a velocidade informativa
em detrimento da complexidade humana presente nas narrativas, busca-se compreender
de que modo o jornalismo literário e a literatura podem funcionar como pontes entre o
sujeito e o real. A pesquisa, de natureza teórico-bibliográfica, fundamenta-se em autores
como Sodré, Gil e Louzeiro, e discute a desumanização velada nas práticas jornalísticas
cotidianas – em especial nas coberturas de pessoas em situação de vulnerabilidade –
contrapondo-a a uma escrita sensível e de imersão. Conclui-se que o jornalismo literário
oferece caminhos possíveis para reaproximar o leitor da experiência humana do outro,
promovendo uma ética narrativa que ultrapassa a mera transmissão de fatos.