O trabalho discute os conflitos morais enfrentados pelos jornalistas nas
redações contemporâneas, examinando os efeitos de sentido produzidos pelos discursos
sobre ética e moral no exercício profissional. A partir da Análise de Discurso de linha
francesa, busca-se compreender o funcionamento discursivo desses conflitos, observando
como o sujeito-jornalista se constitui nas contradições entre o ideal de imparcialidade e
as condições de produção marcadas por determinações institucionais e econômicas. O
corpus é formado por enunciados de jornalistas em entrevistas e reportagens sobre
dilemas éticos, analisados à luz dos conceitos de memória discursiva, formações
ideológicas e posições-sujeito. O estudo mobiliza contribuições de Pêcheux e Orlandi,
articulando-as à discussão sobre ética jornalística proposta por Kovach e Rosenstiel,
Traquina e Genro Filho. Os resultados apontam que o discurso ético do jornalista funciona
como espaço de disputa de sentidos, atravessado por formações contraditórias que
sustentam, de um lado, a imagem do sujeito autônomo e, de outro, sua inscrição nas
determinações institucionais da mídia. Conclui-se que compreender tais conflitos implica
considerar o funcionamento ideológico que estrutura o campo jornalístico e as condições
materiais que produzem deslocamentos no dizer ético.