A presença de comunidades quilombolas na esfera pública brasileira esteve historicamente mediada por narrativas produzidas por agentes externos, entre eles o Estado, a academia e os meios de comunicação tradicionais. Nas últimas décadas, entretanto, observa-se o fortalecimento de iniciativas de comunicação desenvolvidas pelos próprios quilombolas. A partir da tese de doutorado da autora (Nunes, 2024), este artigo analisa as práticas de comunicação quilombola e discute suas interfaces com o campo do jornalismo. Essa reflexão dialoga com contribuições teóricas dos estudos culturais e do pensamento social negro brasileiro. Argumenta-se que as experiências de comunicação quilombola oferecem referências relevantes para o ensino do jornalismo, especialmente no que se refere à democratização da comunicação e à formação de profissionais comprometidos com a diversidade (cultural e social) e o combate ao racismo.